STF vê tentativa de simular doença e mantém prisão de lobista que ficou esquelético em presídio
11/02/2026
(Foto: Reprodução) Lobista antes e depois da prisão
Reprodução
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter a prisão do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, investigado por venda de sentenças em Mato Grosso, no presídio de segurança máxima, em Brasília. No voto, o ministro relator, Cristiano Zanin, apontou que Andreson tentou simular uma condição de saúde grave para obter prisão domiciliar. A votação, que já formou maioria, iniciou na última sexta-feira (6) e segue até dia 13.
Um laudo apresentado pela defesa em julho do ano passado apontou que Andreson estava esquelético e necessitava de cuidados médicos, o que levou a Justiça a conceder prisão domiciliar em Primavera do Leste (MT). No entanto, em novembro do mesmo ano, ele retornou ao presídio federal de Brasília por ser suspeito de cometer novos crimes. Agora, tenta obter uma nova saída.
Em nota, a defesa se manifestou contraria à decisão de manter Andreson em um presídio de segurança máxima.
"[Na decisão] não diz qual a necessidade dele ficar em presídio de segurança máxima, em isolamento dos familiares. Quanto tempo a Relatoria no STJ tem para começar a respeitar a Súmula Vinculante 14? Nada disso consta do único e solitário voto do Relator, acompanhado pelos demais, sem acréscimos. E nem fundamentos", afirmou a defesa.
No voto, o ministro citou que Andreson ganhou cerca de 13 kg em três meses após sair do presídio, o que não sustenta o argumento da defesa de que ele possui uma doença de “evolução grave e severa”.
Segundo Zanin, trechos do laudo médico indicam que o lobista simulou a piora de seu quadro de saúde. Durante a avaliação, por exemplo, Andreson afirmou que não sentia dor, mas os peritos observaram que ele reagia ao toque, à dor e à temperatura, mesmo de olhos fechados, o que indica que os sintomas relatados eram falsos. O ganho de peso em curto período também reforçou essa avaliação.
“Dessa forma, por exclusão, a hipótese diagnóstica mais provável é que a perda de peso registrada anteriormente tenha sido, de fato, voluntária”, escreveu.
O voto do ministro relator Cristiano Zanin, da Primeira Turma do STF, foi seguido pelos colegas Alexandre de Morais e Cármen Lúcia. Já o ministro Flávio Dino é o único que falta se manifestar.
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Zanin destacou ainda que, após o exame anterior, não foram realizados exames laboratoriais ou de imagem para investigar a perda de peso, como recomendado pelas peritas em caráter de urgência.
O relator lembrou que a prisão domiciliar humanitária é medida excepcional. Ele apontou que o lobista obteve autorização para uso de monitoramento eletrônico alegando urgência inexistente, mas deixou de comparecer à unidade para troca do equipamento e permaneceu sem justificativa por mais de um mês.
Esquema para lavar dinheiro
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Um relatório preliminar da Polícia Federal (PF) apontou que o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves utilizava a empresa Florais Transportes como parte de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que supostamente viria da venda de sentenças judiciais. Segundo o documento, o grupo articulava uma rede de intermediários que facilitava a movimentação de milhões de reais por dia nas contas da transportadora.
De acordo com as investigações, Andreson, apelidado de “mestre dos magos” em conversas interceptadas com seus articuladores, afirmava ter condições de movimentar valores expressivos sem levantar suspeitas.
O nome do empresário veio a público após ele ser alvo das Operações Ultima Ratio e Sisamnes, que afastou magistrados nos dois estados e apontou o lobista como uma peça importante para o esquema.
As investigações começaram em agosto de 2024, após mensagens no celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros em 2023, levantarem a suspeita de venda de decisões e levarem ao afastamento dos desembargadores de Mato Grosso, Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho.
Pelas conversas, a Polícia Federal apontou que o lobista seria um dos responsáveis por aproximar o advogado de Sebastião e João. Na operação Siamnes, a polícia prendeu Andreson e vasculhou a casa dos magistrados, que agora são monitorados por tornozeleira eletrônica.
Já na Operação Ultima Ratio cinco desembargadores de Mato Grosso do Sul foram afastados da função, e Andreson foi alvo novamente de busca e apreensão.
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Perda de peso na prisão
Segundo a defesa, Andreson passou por uma cirurgia em 2020 chamada gastrectomia vertical com interposição ileal, procedimento que envolve a retirada de parte do intestino e altera significativamente a digestão e absorção de alimentos. Em fevereiro de 2025, enquanto estava na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, ele solicitou na Justiça o direito a uma alimentação especial, adequada à sua condição de saúde.
A defesa alega que ele teve crises dentro da unidade, com o psicológico comprometido e perda de peso, devido a uma alimentação inadequada e falta de contato com a família.
Na ocasião, a Justiça de Mato Grosso autorizou a entrega de refeições específicas três vezes por semana. Entre os itens autorizados estavam carne assada, atum, chocolates e outros alimentos compatíveis com sua dieta (veja a lista completa). No entanto, oito meses após a prisão, imagens da perícia mostram o lobista visivelmente debilitado, com aparência esquelética.
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