Produção orgânica com ‘adubo verde’ transforma a segurança alimentar no oeste paulista

  • 30/11/2025
(Foto: Reprodução)
Mocambo Nzinga, grupo de estudo compartilhar ensinamentos sobre agricultura orgânica Ivonete Aparecida Alves/Arquivo pessoal O fomento rural às atividades produtivas da agricultura familiar está entre as ações e programas estratégicos do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. No oeste paulista, produtores familiares fortalecem esse direito básico por meio de alimentos orgânicos, como o caso da produção cultivada pela Ivonete Aparecida Alves, 59 anos, em Presidente Prudente. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp “A gente tem muitas ervas medicinais e aromáticas, a gente trabalha com as plantas alimentícias não convencionais e vende na feira do Sesc (Thermas)”, afirma. Ela, junto ao esposo e outra moradora, atuam na identificação dos matos comestíveis e, também, nos matos nativos e plantas nativas que servem para fazer a produção de medicamento. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ao g1, a doutora em Educação pela Unicamp e técnica em agropecuária descreve como esteve cultivo é feito, garantindo a qualidade dos produtos sem o uso de agrotóxicos. “Nós não usamos nenhum tipo de adubação química e nem de veneno comercial. A gente faz sempre caudas naturais, por exemplo, de casca de ovos macerada, ou uma cauda que se chama água de vidro, que é feita com cal e cinzas”, continua. Adubo verde Outro meio de adubação é pelo cultivo da planta crotalária que, segundo a produtora, atrai libélula. O inseto ataca o mosquito transmissor da dengue. "É uma planta de controle ambiental, de um controle positivo". Ivonete também utiliza composto feito com esterco de gado, a partir da produção de vacas orgânicas da cunhada. “Ela também tem esse cuidado, as vaquinhas são humanizadas, elas têm nome. Eu crio um pouco de galinhas caipiras, alimentadas com folhas verdes, mato e ervas medicinas, e aí a gente usa o esterco”. O “adubo verde” utilizado pela agricultora também são por meio de folhas e gramas recolhidas para acrescentar na compostagem, se tornando um adubo natural rico em nutrientes. Ivonete Alves é técnica em agropecuária e doutora em educação. Ela cultiva produtos orgânicos Mocambo Nzinga/Reprodução Na região do oeste paulista, a agricultura familiar e orgânica também fonte de renda para quase 30 famílias em Iepê (SP). Arlindo da Silva, de 56 anos, descreve como e quando começou a trabalhar no ramo. "Estou aqui há 18 anos e a gente sempre trabalhou com agricultura orgânica, sem agrotóxico. A gente produz aqui, de acordo com a época, mandioca, abóbora, milho. Já teve produção de feijão, maxixe, abacaxi", conta o produtor. Conforme a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a partir do Censo Agropecuário de 2017, no Brasil, a agricultura familiar ocupa uma extensão de área de 80,9 milhões de hectares, representando 23% da área total dos estabelecimentos agropecuários brasileiros. LEIA TAMBÉM: Mulheres transformam paixão pela culinária em fonte de renda no interior de SP Multas por degradação ambiental somam mais de R$ 4,3 milhões no oeste paulista; quase 480 hectares foram destruídos Presidente Prudente é pioneira em rede urbana abastecida por biometano produzido a partir da cana; entenda o que é o combustível e seus benefícios Segurança alimentar A partir da produção orgânica, é possível garantir a segurança alimentar e nutricional dos moradores, que vai além de ter acesso ao alimento, segundo a pesquisadora e técnica agrícola. No caso, as mudanças culturais influenciam a vida no geral e comer comida viva é desafiador, pois os ensinamentos do preparo dos alimentos estão sendo esquecidos com o tempo. “Nossas [pessoas] mais velhas, que sabiam fazer milagre com ingredientes naturais, produzidos em quintais, espaços de reserva nas vilas, cercas, cercados etc., estão morrendo e poucas outras pessoas a substituem nesta tarefa”, reforça. Segundo Ivonete, a segurança alimentar e nutricional precisa ganhar o status de garantir a sobrevivência de modos de viver e ter saúde que as pessoas estão perdendo muito rapidamente. “Cadê aqueles bolinhos de chuva, massa de pão enriquecida, biscoitinhos salgados temperados com ervas, as saladas coloridas, as pamonhas, curau, bolo de milho e fubá, farofas com um monte de mato que elas faziam?” Mocambo Nzinga, grupo de estudo compartilhar ensinamentos sobre agricultura orgânica Ivonete Aparecida Alves/Arquivo pessoal Tradições familiares As discussões sobre segurança alimentar e nutricional não impede a penetração de um tipo de comida que é quase sempre caloria vazia, como alimentos ultraprocessados, destaca Ivonete. “Não alimenta, não nutre e ainda prejudica a saúde já impactada negativamente por outros fatores culturais”. “Sem contar a falta da quantidade de cores que o arroz ganhava, dependendo da casa e da receita de família”. Isso reforça que as tradições familiares também estão se perdendo com o tempo. Ivonete atua em um grupo de estudo e trabalho voltado a cultura afro-brasileira e africana, o Mocambo Nzinga, no Jardim Cambuci, onde o cultivo das plantas é realizado. Este grupo tem parceria com o Coletivo Saruê da Unesp, onde contribuem nos mutirões. As atividades são realizadas no primeiro sábado do mês, onde compartilham dicas sobre as plantas, em como utilizá-las para chás e comidas, além de ensinar a cultivar. A aula é gratuita e aberta para quem quiser, mesmo que não tenha prática. No sábado, 6 de dezembro, o tema é voltado para a planta crajiru, conhecida também como pariri, e atua como anti-inflamatório natural. Mais informações estão disponíveis nas redes sociais. “Nossos encontros festivos também tem o objetivo de compartilhar conhecimento e receitas de bons alimentos, produzidos, coletados e também saboreamos no coletivo para aumentar as possibilidades de conhecer alimentos vivos”, finaliza a pesquisadora Ivonete. Mocambo Nzinga, grupo de estudo compartilhar ensinamentos sobre agricultura orgânica Ivonete Aparecida Alves/Arquivo pessoal Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-e-regiao/noticia/2025/11/30/producao-organica-com-adubo-verde-transforma-a-seguranca-alimentar-no-oeste-paulista.ghtml


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