Mudanças climáticas afetam produção de ostras em SC, e maior produtor do Brasil deve perder 90% da safra da temporada
06/04/2026
(Foto: Reprodução) Crise das ostras em Santa Catarina provoca perda de até 90%
🦪Responsável por mais de 91% de toda a produção nacional de ostras, Santa Catarina deve perder 90% da safra desses moluscos nesta temporada. O setor passa por uma crise histórica, relacionada às mudanças climáticas, impactando diretamente produtores e consumidores.
O produtor Paulo Antônio Constantino vive de ostras há 30 anos e, pela primeira vez, não tem o que vender. O prejuízo chegou a R$ 1,5 milhão.
"Era para ter em estoque hoje aproximadamente de 20 mil a 30 mil dúzias de ostra. Hoje eu não tenho 300 dúzias de ostra", declarou o maricultor.
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Para não perder totalmente a produção, ele decidiu vender uma ostra chamada de "refugo". "Não é uma ostra pronta para comercialização. Porém, como não existe mais nada, nós estamos embarcando o que tem", explicou.
Ele disse ainda que precisou fazer demissões e que, a partir da próxima semana, a fazenda de ostras dele vai operar em meio período, apenas para manutenção.
Ostras em Santa Catarina
Cidasc/Ascom/Divulgação
A situação se repete em outras regiões produtoras, especialmente no sul da Ilha de Santa Catarina. Vinicius, produtor e presidente de uma associação de maricultores, relata que grande parte da produção está sendo descartada ainda no processo de manejo.
"Trabalhamos com 20 colaboradores, cinco, infelizmente, a gente já teve que desligar, estamos com 15. Desses 15, três estão de férias, não sabemos no retorno das férias deles o que nós vamos realocar, se o cenário vai mudar", lamenta.
A crise ocorre justamente em um período de alta demanda, como a Semana Santa, quando o consumo de ostras costuma aumentar. Com a queda na produção, a oferta diminui e os efeitos já são percebidos pelos consumidores.
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🌡️Temperatura da água como causa do problema
Especialistas apontam que a principal causa do problema é o aumento da temperatura da água do mar. Pesquisadores da Epagri vêm monitorando o fenômeno e identificaram picos de calor acima do normal nos meses de janeiro e fevereiro. Segundo eles, além do calor, outros fatores associados às mudanças ambientais também contribuem para a mortalidade dos moluscos.
Diante do cenário, o setor discute alternativas para reduzir os impactos. Uma das possibilidades é investir na comercialização de ostras processadas, como a carne cozida e inspecionada, em vez da venda do produto in natura.
"Uma das saídas já discutidas é mudar a forma de comercializar e apostar na ostra processada. É construir essa nova possibilidade de mercado, onde a gente passará a comercializar carne de ostra cozida, processada, inspecionada, ao invés de comercializar ostra em natura", explica.
A Federação de Empresas de Aquicultura defende a adoção de medidas emergenciais e políticas de longo prazo, incluindo maior acesso a crédito. Embora o governo do estado tenha anunciado uma linha com juros zero, limitada a R$ 50 mil por produtor, representantes do setor consideram o valor insuficiente diante dos prejuízos acumulados.
"Nossos investimentos são muito altos com o complemento da folha de pagamento, são muitos funcionários que dependem disso, mas apoio com volumes maiores, né? Que a gente consiga ter um volume maior de empréstimo, né? Para a gente conseguir. Não é um sujeito, a gente realmente vai pagar por isso, só que um valor muito pequeno, né? É irrisório esse valor", diz Paulo .
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