MP-SP formaliza rejeição à delação com 'Beto Louco' e 'Primo', alvos da Carbono Oculto, cita omissão sobre o PCC e fuga de investigados

  • 07/05/2026
(Foto: Reprodução)
EUA não levarão em conta posição do Brasil sobre classificar o PCC como organização terrorista O Ministério Público de São Paulo formalizou nesta quinta-feira (7) a rejeição ao acordo de delação premiada discutida com os empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "Primo", e Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", principais alvos da operação Carbono Oculto e acusados de comandar esquema bilionário do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. A íntegra da decisão do procurador-geral de Justiça (PGJ), Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, foi apresentada à defesa dos empresários também nesta quinta. Procurada, a defesa disse que não vai se manifestar. Na quarta-feira (6), após a decisão do PGJ sobre a rejeição, a defesa informou que não comentaria porque o processo é sigiloso. A negativa do MP, no entanto, não impede que um novo acordo possa ser fechado durante o andamento do processo, caso exista interesse entre as partes. O MP apura um esquema sofisticado de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, corrupção e fraudes no mercado de combustíveis que seria comandado por “Beto Louco” e “Primo”. Os dois estão foragidos desde agosto de 2025, mas em decorrência da Operação Tank, deflagrada pela Polícia Federal no mesmo dia da Carbono Oculto. Entre os motivos apontados formalmente à defesa dos empresários está a ausência de requisitos mínimos para a continuidade das negociações e que os investigados não apresentaram elementos que atendessem à finalidade da colaboração. A GloboNews apurou ainda que outros fatores pesaram para a decisão de não continuidade das tratativas, como o fato de os dois alvos estarem foragidos desde a deflagração das operações Carbono Oculto, Tank e Quasar, a falta de informações sobre outros participantes da organização criminosa, estrutura hierárquica e divisão de tarefas. Os promotores envolvidos no caso entenderam que os empresários omitiram informações relevantes sobre a atuação em esquemas de lavagem e conexões com o PCC, detalhes do esquema e dinâmica de adulteração de combustíveis, além de terem se negado a oferecer detalhes sobre corrupção policial no estado. Valores negociados Durante a negociação, foi aventada a possibilidade de que os empresários estariam dispostos a pagar mais de R$ 1 bilhão em impostos sonegados, além de multas, mas investigadores afirmam que os valores sequer foram discutidos. Antes da definição das quantias a serem devolvidas ao Estado, seria necessário definir a pena que os empresários cumpririam e também o regime. O material apresentado às autoridades, segundo a defesa dos empresários, incluía documentos, mensagens de celular, gravações e comprovantes de pagamento que confirmariam uma propina de mais de R$ 400 milhões a políticos, magistrados e outras autoridades entre 2022 e 2024. Os investigadores, no entanto, avaliaram que o conteúdo obtido pela imprensa seria mais amplo do que foi apresentado pelos advogados durante as negociações, e reforçaram que o relato indicava o ato de apenas um juiz, que já está processado e responsabilizado criminalmente e na esfera administrativa. Tentativas de acordo Os empresários tentavam firmar acordos de delação em diferentes esferas desde o ano passado. As primeiras recusas partiram da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal. Em São Paulo, os dois assinaram um termo de confidencialidade. Por envolver uma denúncia envolvendo um juiz, as negociações foram remetidas à Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), que assumiu a competência originária. As conversas tiveram andamento no MP, mas ficaram travadas nos últimos meses. A GloboNews apurou que o material apresentado por “Beto Louco” e “Primo” não atendeu aos requisitos mínimos para a formalização da delação e não trazia novidades ao que a investigação havia indicado. Delação rejeitada no Piauí Assim como aconteceu no Ministério Público de São Paulo, a proposta de colaboração foi rejeitada, em março deste ano, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Piauí. O objetivo era o mesmo: ter mais informações e provas sobre a possível atuação de uma organização criminosa estruturada voltada à prática de fraudes no setor de combustíveis, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro proveniente dos crimes praticados. Os empresários manifestaram interesse na celebração de acordo, alegando ter elementos que poderiam contribuir para o esclarecimento dos fatos investigados, principalmente em relação à organização criminosa, e também assinaram um termo de confidencialidade com o Gaeco do Piauí. Porém, após a análise dos anexos com os conteúdos apresentados pelos investigados, os promotores entenderam que já possuíam as informações que foram apresentadas posteriormente por “Beto Louco” e “Primo”, e que o material entregue não acrescentaria detalhes relevantes ou indispensáveis para o avanço da investigação. Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "Primo", e Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", eram responsáveis por comandar o esquema do PCC no setor de combustíveis. Montagem g1/Reprodução/Redes sociais/Polícia Civil

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/07/mp-sp-formaliza-rejeicao-a-delacao-com-beto-louco-e-primo-alvos-da-carbono-oculto-cita-omissao-sobre-o-pcc-e-fuga-de-investigados.ghtml


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