Filhote de elefante-marinho monitorado com 'anteninha' se alimenta e descansa em SC rumo à Argentina
25/01/2026
(Foto: Reprodução) Equipe de pesquisadores anexou uma 'anteninha' temporária no animal
LEC/UFPR
🦭🌊O primeiro elefante-marinho monitorado do Brasil, solto na última quarta-feira (21) no Paraná, está curtindo, sem pressa, o longo trajeto até a Argentina.
O bebê passou a ter um transmissor de satélite fixado na cabeça e esteve por Navegantes e Itajaí, no Litoral Norte catarinense, no sábado (24). As informações são do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos, coordenado pela Univali em Santa Catarina e no Paraná.
✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp
Segundo André Silva Barreto, coordenador geral do PMP-BS na área que abrange os dois estados, o animal já percorreu cerca de 180 km desde que foi solto, "explorando o ambiente e, em alguns locais, parando para pescar".
Localização do filhote de elefante-marinho no sábado (24)
Reprodução
Filhote passou por reabilitação
O filhote foi resgatado no litoral do Paraná em dezembro do ano passado. Ele estava debilitado e com pneumonia, e por isso passou quase um mês em reabilitação.
Agora, ele inicia o trajeto rumo à Península de Valdés, na Argentina, região onde os elefantes-marinhos se reproduzem. A estimativa é que percorra cerca de 2,5 mil km nos próximos meses.
Segundo a coordenadora do projeto, Camila Domit, a presença da espécie na costa brasileira é rara.
"O nascimento desse animal no Brasil, ainda é uma grande incógnita. O fato desse animal estar aqui, o fato dele ser reabilitado e ser devolvido na natureza nos relembra que temos um compromisso com o oceano. O que nós estamos fazendo aqui, de alguma forma também vai influenciar toda a biodiversidade marinha", afirma.
Filhote de elefante-marinho inicia jornada de volta para casa
O filhote é um macho de 68 kg e 1,80 m de comprimento. Com apenas quatro meses de vida, ainda está com os dentes nascendo. Quando adulto, pode ultrapassar duas toneladas.
De volta para casa
O transmissor instalado na cabeça do animal deve se soltar em até seis meses e permite acompanhar seu deslocamento e sua saúde.
A soltura ocorreu no Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, a 14 km da costa do Paraná. Segundo Camila Domit, o local foi escolhido para manter o filhote afastado de áreas urbanas e reduzir riscos causados por atividades humanas.
Segundo Domit, manter distância das áreas urbanas também reduz o risco de o filhote ser exposto a doenças comuns em cães e gatos, já que a espécie é suscetível a alguns desses patógenos.
"O elefante-marinho é uma espécie oceânica, é uma espécie que se alimenta em zonas de alta profundidade. A ideia de trazer esse elefantinho para essa região é, primeiro, dar a ele a oportunidade de ficar longe de uma zona urbana. A gente tem uma preocupação que doenças que afetam cachorros e gatos nas nossas cidades possam afetar também a saúde desse animal que está super saudável, super bem", explica.
Se o filhote aparecer em alguma praia, a orientação é manter distância e acionar o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos ou os órgãos ambientais locais. A medida ajuda a garantir a segurança do animal durante a viagem.
O elefante marinho no primeiro mergulho no mar após a recuperação
Maycon Hoffmann/RPC
VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias