Familiares de médica assassinada protestam em frente de hospital onde procurador está internado no Acre
06/11/2026
(Foto: Reprodução) Familiares de médica assassinada protestam em frente do PS de Rio Branco
Familiares e amigos da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, assassinada a tiros em um bar na última segunda-feira (2) no interior do estado, fizeram um protesto na tarde desta sexta (6) em frente ao Pronto-Socorro, onde o suspeito de mandar matar a vítima está internado.
O procurador municipal de Brasiléia, ex-vereador e advogado Francisco Valadares Neto tentou suícidio tomando diversos remédios e usando drogas ilícitas após o crime. Ele está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do PS após ser transferido de Brasiléia.
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Com cartazes e faixas, os manifestantes pediram que o caso não fique impune e questionaram uma possível transferência de Francisco para fora do estado para seguir com o tratamento de saúde.
"Se ele sair daqui do estado, vai ser feita a justiça? Esse é o nosso grito. É isso que a gente quer, que ele seja julgado e sentenciado porque ele matou uma família inteira", lamentou.
Familiares e amigos protestaram em frente ao PS de Rio Branco
Lucas Thadeu/Rede Amazônica Acre
Eduarda Wolter, prima de Elyne, disse que a vítima e Francisco não chegaram a namorar. Segundo ela, a médica saiu para jantar com o procurador uma vez em meados de julho, quando iniciaram as perseguições.
"Quando meu tio descobriu, contou todo o histórico de denúncias dele e ela decidiu se afastar. Ele enlouqueceu e começaram as ameaças e as perseguições", afirma.
Em nota publicada nesta sexta, a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) informou que 'não há solicitação formal, nem procedimento em andamento para transferência do paciente por meio de Tratamento Fora de Domicílio (TFD), para transferência do paciente para São Paulo.
"Em respeito à privacidade do paciente e ao sigilo das informações de saúde, a Sesacre ressalta que dados clínicos e informações de prontuário são tratados exclusivamente pelos canais apropriados, junto às pessoas autorizadas", diz parte do comunicado.
Sobre o protesto, a Sesacre 'respeito o direito de manifestação pacífica, mantém-se aberta ao diálogo e reforça seu compromisso com a assistência ao paciente'.
Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, era medica e foi morta a tiros em Brasiléia, no Acre
Reprodução
Prisão do executor
Lucivaldo Lopes de Souza, suspeito atirar na médica Elyne, foi preso na noite dessa quinta-feira (5). Uma operação da Polícia Civil localizou o homem em uma área da zona rural de Epitaciolândia, cidade vizinha ao município onde o crime ocorreu.
Em depoimento na manhã desta sexta, Lucivaldo confessou o crime e disse que receberia R$ 10 mil para matar a médica. Desse total, R$ 2 mil foram entregues antecipadamente e os outros R$ 8 mil seriam pagos depois da execução. Durante a prisão do suspeito, a polícia conseguiu recuperar R$ 700 desse adiantamento.
"Em espécie, ele recebeu R$ 2 mil de adiantamento para executar. Os outros R$ 8 mil seriam pagos após a morte. Desses R$ 2 mil que ele recebeu, conseguimos arrecadar R$ 700, em sete cédulas de R$ 100. Então, o pagamento de R$ 40 mil envolve também outras pessoas que estão sendo investigadas", explicou o delegado Alex Dany.
Ao todo, Francisco teria negociado a morte de Elyne por R$ 40 mil, segundo as investigações. Conforme a Polícia Civil, Lucivaldo afirmou em interrogatório que agiu a mando de Francisco Valadares Neto.
Suspeito de assassinar médica a tiros é preso no interior do Acre
Conforme o delegado, a investigação já identificou outras pessoas que participaram da intermediação entre o suposto mandante e o executor. A polícia ainda trabalha para esclarecer como foi feito o contato entre eles e qual foi a participação de cada envolvido.
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"É um crime de mando. Temos como mandante [Francisco] e como autor da execução o Lucivaldo. Nesse meio de campo, ainda estamos fechando as informações e já temos identificadas algumas pessoas, não apenas uma, envolvidas nessa intermediação entre o mandante e a execução da morte", explicou.
Apesar da confissão, a Polícia Civil afirma que ainda há etapas da investigação a cumprir. A motivação do assassinato também não foi esclarecida, já que os investigadores ainda não conseguiram ouvir formalmente o procurador, que ainda está hospitalizado em Rio Branco.
"Não temos como responder sobre a motivação, visto que ela é originária da própria pessoa que encomendou a morte dela, e nós não tivemos oportunidade de interrogá-lo por causa da situação de saúde em que se encontra", disse o delegado.
Lucivaldo Lopes de Souza confessou ter atirado contra a médica Elyne de Assis Nogueira e afirmou que o crime foi encomendado por R$ 40 mil
Reprodução/Alexandre Lima
Procurador pesquisava sobre a médica
Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa de Francisco Valadares, na terça (3), os policiais encontraram um computador ligado, com páginas e pesquisas relacionadas à morte da médica, além de outros objetos que foram recolhidos para auxiliar nas investigações.
Segundo Alex Dany, também foram encontrados no imóvel uma substância em pó, com características semelhantes às da cocaína, e uma carta. O material foi apreendido e será analisado pelos investigadores.
Segundo a Polícia Civil, Francisco Valadares Neto encomendou a morte da médica Elyne de Assis Nogueira por R$ 40 mil
Reprodução
A investigadora Chayene Medeiros, que participou das diligências desde o início do caso, afirmou que a carta encontrada na residência também pode contribuir para esclarecer o planejamento do crime.
"Durante o cumprimento do mandado de busca, coletamos provas que vão nos ajudar a aprofundar a investigação. Foi apreendida uma carta na casa do doutor Valadares, que também nos auxiliou a avançar nas apurações sobre o crime de mando. Ainda temos muito trabalho pela frente e outros desdobramentos devem ocorrer no decorrer da investigação", afirmou.
Investigação
A Polícia Civil informou que trabalha para identificar todos os envolvidos na contratação e na execução do assassinato.
O procurador, que também é advogado e ex-vereador de Brasiléia, está com mandado de prisão em aberto, mas permanece hospitalizado. Conforme o delegado, a polícia acompanha a situação e aguarda condições para cumprir a ordem judicial.
''A motivação do crime ainda depende de esclarecimentos. Nós não tivemos acesso a todos os procedimentos relacionados a possíveis episódios anteriores de violência doméstica envolvendo o ex-casal, pois parte das medidas foi solicitada diretamente ao Judiciário'', ressaltou Alex.
O delegado afirmou também que os investigadores ainda precisam concluir as diligências para esclarecer a participação de cada pessoa e reunir os elementos necessários para finalizar o inquérito.
Medida protetiva
Francisco já tem histórico de condenação por violência doméstica contra a ex-prefeita da cidade, Fernanda Hassem, com quem teve um relacionamento.
Testemunhas que estavam na mesma mesa que Elyne contaram aos policiais que ela possuía medida protetiva contra Francisco e que vinha relatando situações de ameaça. Segundo os relatos, ele teria passado várias vezes pela rua onde fica o bar naquela ocasião.
O corpo de Elyne foi velado em Brasiléia. A médica foi sepultada na última quarta-feira (4), no Cemitério São João Batista da cidade. Ao g1, um amigo que pediu para não ser identificado descreveu Elyne como uma pessoa que conquistava a todos que conviviam com ela. Ela trabalhava no Hospital Regional de Brasiléia e na Unidade Básica de Saúde Dr. Ricardo Barbosa da Silva.
Especialista em medicina da família e comunidade, a médica era admirada não apenas pela competência profissional, mas também pela maneira como acolhia e tratava os pacientes, segundo o amigo.
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Ele ressaltou a personalidade alegre da médica. Ela frequentava academia, gostava de cuidar da saúde e aproveitar os momentos com pessoas próximas.
No sepultamento da médica, um cortejo marcou o momento com homenagens e emoções por familiares e amigos. O médico e ex-marido de Elyne, Francisco Nogueira, falou sobre a dor e a revolta pela perda e relembrou que a médica procurou medidas legais para se proteger.
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