Dois PMs são presos por suspeita de envolvimento na morte de um mototaxista no interior do TO
11/02/2026
(Foto: Reprodução) Policiais militares são afastados após morte de mototaxista no interior do Tocantins
Os policiais militares Devany Gomes dos Santos e Cláudio Roberto Nunes Gomes tiveram a prisão temporária de 30 dias decretada pela Justiça do Tocantins nesta terça-feira (10) e cumprida nesta quarta-feira (11). A decisão é do juiz Nilson Afonso da Silva.
Os policiais são investigados pela suspeita de envolvimento na morte do mototaxista Jefferson Lima Borges, de 25 anos. O corpo do jovem foi encontrado, em setembro de 2025, às margens da rodovia TO-181, em Sandolândia.
À época, a Polícia Militar informou que os policiais investigados haviam sido afastados de suas funções "para garantir a total transparência e isenção das investigações". O g1 procurou a PM para se posicionar sobre a prisão, mas, até a última atualização desta reportagem, não havia se manifestado.
O g1 tenta contato com as defesas dos presos.
O mototaxista teria sido morto dois meses após denunciar um suposto abuso de poder de policiais militares ao Ministério Público do Tocantins (MPTO) - Entenda o caso abaixo.
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Mototaxista Jefferson Lima Borges, de 25 anos, durante abordagem da PM
Reprodução
Segundo a decisão da Justiça, a investigação policial apontou indícios de que os investigados – os militares – teriam monitorado a vítima, seguido seus deslocamentos e “participado diretamente da execução, além de terem atuado posteriormente para ocultar provas, inclusive mediante suposto extravio de arma funcional, formatação e substituição de aparelhos celulares e inconsistências relevantes nas versões apresentadas.”
Um laudo pericial confirmou que um projétil retirado da vítima é compatível com arma funcional de um dos policiais.
Segundo a decisão assinada pelo juiz Nilson Afonso da Silva, por serem policiais militares, eles devem cumprir a custódia no 4º Batalhão da Polícia Militar “para garantir a disciplina militar e a segurança institucional”.
Entenda o caso
Jefferson denunciou dois incidentes de abuso de poder envolvendo policiais militares em Araguaçu. Os casos foram registrados pela promotoria de Justiça Araguaçu no dia 15 de julho de 2025.
O primeiro incidente teria sido durante uma abordagem realizada no final de junho de 2025. Conforme apurado pela TV Anhanguera, Jefferson relatou que foi abordado pela Polícia Militar quando estava em sua moto. Ele afirmou que os militares o trataram com truculência e ameaças, provocando uma discussão.
Ao Ministério Público, o mototaxista contou que também foi acusado de ameaçar os policiais e que um dos militares o teria identificado como uma pessoa que estaria sendo procurada.
O segundo incidente aconteceu na noite anterior ao depoimento de Jefferson ao Ministério Público. Ele relatou à promotoria que havia chegado de moto em um estabelecimento e novamente foi abordado, mas desta vez pela Força Tática.
Na ação, os policiais teriam exigido que o mototaxista desbloqueasse o próprio celular para ver a Identificação Internacional de Equipamento Móvel (IMEI), com o intuito de checar se o aparelho era roubado. Jefferson contou que negou o pedido dos policiais e disse que não tinha obrigação de fazer o que foi solicitado.
Jefferson também denunciou ao MPTO que os policiais o questionaram sobre uma pendência do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e que teve o celular apreendido, sem que qualquer documento fosse apresentado.
Devolução do celular
Após a denúncia do mototaxista, a promotoria de Justiça buscou documentos que pudessem justificar a apreensão do celular, mas não foi encontrado qualquer registro. A Polícia Militar de Araguaçu foi chamada pelo MPTO e fez a devolução do aparelho, afirmando que não havia termo de apreensão ou documento relacionado ao fato.
Investigação
Em novembro, a Polícia Civil cumpriu sete mandados de busca e apreensão em três quartéis da Polícia Militar e contra quatro policiais militares. Os PMs são investigados por suspeita de envolvimento na morte de Jefferson.
Conforme apurado pela TV Anhanguera, as investigações apontam que um dos soldados teria omitido informações quanto à pessoa que encontrou o corpo ao registrar o caso. Ele ainda teria afirmado que não havia ninguém no local onde Jefferson foi localizado.
A Polícia Civil identificou que a testemunha ocultada no registro teria visto a chegada de um tenente e de um soldado em uma caminhonete prata. Segundo as investigações, essa informação também foi ocultada no registro do policial militar.
Conforme apurado pela investigação, no dia em que o corpo de Jefferson foi encontrado, a testemunha relatou ter visto uma caminhonete, com características idênticas às do veículo dos policiais, trafegando em sentido contrário, instantes antes de encontrar o corpo na rodovia.
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