Caso Maicon é desarquivado 30 anos após morte de criança em ação policial no Rio

  • 27/06/2026
(Foto: Reprodução)
O menino Maicon de Souza e Silva, morto aos 2 anos Reprodução / Arquivo Pessoal O Ministério Público do Rio (MPRJ) determinou o desarquivamento da investigação sobre a morte de Maicon de Souza Silva, que tinha 2 anos quando foi baleado, em 15 de abril de 1996, na Favela de Acari, na Zona Norte da cidade. Segundo o processo, o menino brincava em frente de casa quando foi atingido por um tiro na cabeça durante uma ação policial. O disparo foi feito por um policial militar, e a criança acabou no fogo cruzado. Na época, o caso foi registrado como auto de resistência. Em 2019, a investigação foi arquivada por falta de provas. 🔺Auto de resistência era o registro policial usado para casos de mortes ocorridas durante ações policiais sob a alegação de reação ou confronto. O termo foi extinto e substituído por morte decorrente de intervenção policial. O desarquivamento ocorre 30 anos depois e atende a uma recomendação da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que apontou violações de direitos humanos no caso. Ao longo das últimas três décadas, o pai de Maicon, José Luiz Faria da Silva, tornou-se uma das principais vozes na luta por justiça. Durante esse período, ele realizou protestos e vigílias em defesa da memória do filho. José Luiz também participou do documentário "Territórios – Sob o Domínio do Crime", do Globoplay, que aborda a expansão das facções criminosas no Brasil. Na produção, ele relembra o caso: "O Maicon, uma criança ativa, brincalhona, nesse meio dessa violência do Rio de Janeiro, acabou sendo alvejado com um tiro no rosto. Tinha 2 anos de idade e entrou no chamado auto de resistência." 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Agora no g1 LEIA TAMBÉM: Menino morto por bala perdida ganha estátua na Favela de Acari Investigações de operações policiais com crianças e jovens mortos não terminam no RJ; famílias recorrem à Justiça internacional Há 23 anos, pai luta para punir PMs por morte de Maicon, de 2 anos; caso foi registrado como 'auto de resistência' A Corte determinou que o Estado brasileiro realize uma investigação, julgamento e eventual punição dos responsáveis de forma séria, efetiva e em conformidade com as normas internacionais. O objetivo é esclarecer completamente os fatos, identificar todos os envolvidos e aplicar as sanções cabíveis. A CIDH também orienta que a nova investigação considere o contexto das mortes de crianças e adolescentes por balas perdidas em ações policiais e os impactos desse cenário sobre a população afrodescendente. Além do desarquivamento, o MPRJ determinou que o procedimento seja encaminhado à Promotoria de Justiça de Investigação Penal, que terá prazo de 1 ano para analisar o caso e apresentar uma decisão fundamentada, seguindo as recomendações da Corte. Cerimônia de reparação simbólica Na próxima terça-feira (30), o MPRJ realizará uma cerimônia para a assinatura dos Acordos de Cumprimento das Recomendações da Corte Interamericana de Direitos Humanos. O evento contará com a participação do procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira; da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello dos Santos; de representantes da Advocacia-Geral da União (AGU), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), da Subprocuradoria-Geral de Justiça de Direitos Humanos e Proteção à Vítima, da organização Justiça Global e de familiares das vítimas. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum detalhe. Baixe o GloboPop.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/06/27/caso-maicon-e-desarquivado-30-anos-apos-morte-de-crianca-em-acao-policial-no-rio.ghtml


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