Caso Ana Clara: 'Não entendo a raiva dele', diz jovem sobre cunhado que decepou as mãos dela

  • 20/05/2026
(Foto: Reprodução)
Cunhado tinha ameaçado cortar mãos de jovem, diz vítima de tentativa de feminicídio no CE "Não entendo a raiva dele", disse em entrevista a jovem Ana Clara Antero de Oliveira, de 21 anos, que teve uma das mãos decepada e outra semiarrancada pelo cunhado, Evangelista Rocha dos Santos, de 34 anos. A tentativa de feminicídio ocorreu em 1º de maio em Quixeramobim. Evangelista é irmão de Ronivaldo Rocha dos Santos, de 40 anos, que tinha um relacionamento com Ana Clara. Ronivaldo chamou o irmão após uma briga com a namorada e incitou o ataque contra ela. Evangelista atacou a vítima com golpes de foice. Além das mãos decepadas, ela sofreu cortes profundos no rosto, ombro, perna e cotovelo. Os dois irmãos foram presos ainda no dia do crime e viraram réus por tentativa de feminicídio. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp Em entrevista à TV Verdes Mares, direto do hospital onde se recupera após passar por uma cirurgia de emergência para reimplante das mãos, Ana Clara disse ter se surpreendido com a ferocidade do ataque de Evangelista. De acordo com a jovem, ela tinha pouco contato com os familiares de Ronivaldo, com quem manteve um relacionamento de cerca de dois anos. No entanto, segundo o relato de Ana Clara, Evangelista ficava sabendo de algumas brigas do casal. “Não entendo a raiva dele [Evangelista], porque é uma família que eu não tinha intimidade. Ele alega, lá quando o policial fala com ele, que é porque eu esculhambava ele, esculhambava a mãe dele. Pra ter noção, eu nunca falei um ‘oi’ com a mãe dele… Nunca falei com a mãe dele. Agora com o pai dele, sim”, explicou. Ana Clara afirmou que Evangelista já havia ameaçado cortar as mãos dela. “Ele [Ronivaldo] foi buscar o irmão [Evangelista] com a foice, né? E o irmão já tinha falado para o meu padrasto, que é o meu pai… Tinha falado pra ele que um dia ia cortar as minhas duas mãos”, revelou Ana Clara. O que disseram os irmãos O g1 teve acesso aos depoimentos de Ronivaldo e Evangelista. O último confessou o crime e deu detalhes do que acontece, enquanto o Ronivaldo, então companheiro de Ana Clara, alegou ter ingerido álcool e não lembrar da maior parte do que aconteceu. Evangelista Rocha, de 34 anos, e o irmão Ronivaldo Rocha, de 40 anos Reprodução Segundo o relato de Evangelista, ele estava em casa, na madrugada da sexta-feira, quando Ronivaldo ligou e pediu que ele o acompanhasse à casa de Ana Clara para "conversar". Evangelista disse que levou, por conta própria, a foice que viria a ser utilizada no crime e afirmou que "já estava na maldade". À Polícia Civil, Evangelista informou que os gritos do irmão o influenciaram a atacar a vítima com os golpes de foice - que a atingiram primeiro no braço e depois nos outros membros. Ele disse ainda que deixou a casa de Ana Clara por acreditar que ela tivesse morrido com os golpes. Já Ronivaldo Rocha afirmou que a discussão com Ana Clara teria relação com as transferências bancárias que ela teria feito da conta dele para a dela, razão pela qual aparece em um dos vídeos das câmeras de segurança chamando a mulher de "ladrona". Na noite do crime, os dois teriam ingerido bebidas alcoólicas e, após uma discussão pelo dinheiro, ela teria quebrado um vidro do carro que ele dirigia. No resto do depoimento, porém, ele afirma não se lembrar de quase nenhum acontecimento, como o momento em que gritou "pode matar ela" para o irmão, cena captada pelas câmeras de segurança. No dia 17 de maio, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) aceitou a denúncia contra os irmãos Evangelista Rocha dos Santos, 34 anos, e Ronivaldo Rocha dos Santos, 40 anos, pela tentativa de feminicídio contra Ana Clara. Agora, os irmãos são réus no processo, que passou a tramitar em segredo de Justiça. Ao denunciar os dois irmãos pela tentativa de feminicídio, o Ministério Público do Ceará (MPCE) pediu que eles paguem uma indenização de R$ 97 mil à vítima. O valor está sujeito a alteração por parte da autoridade judicial que vai julgar o caso. Ainda não há prazo para o julgamento. Relacionamento conturbado Ana Clara, vítima de tentativa de feminicídio, namorou com Ronivaldo Rocha cerca de dois anos Reprodução Agressões físicas anteriores e brigas constantes por ciúmes fizeram parte do namoro do casal, principalmente nos últimos meses, conforme o relato da jovem. Além de relatar que Ronivaldo batia nela usando um copo térmico e que deu um soco na boca dela, ela contou também que deixou de ir para a academia e abandonou os estudos para tentar evitar brigas com ele. Conforme inquérito da Polícia Civil do Ceará, os irmãos acreditavam que a violência era uma forma de impor à mulher “submissão e respeito”. A constatação da Delegacia Municipal de Quixeramobim foi feita a partir da análise de áudios enviados pelos suspeitos após o crime. "Especialmente relevante é o conteúdo do áudio em que Ronivaldo afirma: 'era só ter dado umas mãozadas nela pra ela respeitar as cara', revelando de maneira absolutamente clara que a violência física contra a vítima era encarada pelos investigados como mecanismo legítimo de imposição de submissão e respeito", disse a polícia no inquérito. Após a tentativa de feminicídio, Ana Clara quer alertar outras mulheres que podem estar em relações que trazem riscos para elas. Ela afirmou, também, que já sofreu agressões em outros relacionamentos e não quis falar abertamente sobre a violência sofrida. “Eu quero que isso melhore, que as mulheres que passam por isso se saiam. Procure uma ajuda psiquiátrica, psicológica, converse com um amigo… Se saia, não esconda”, aconselhou. Vítima fingiu estar morta após ataque 'Estava consciente o tempo todo', diz vítima que teve mãos decepadas por cunhado Fingir que estava morta foi uma das reações de Ana Clara enquanto era atacada pelo cunhado. A vítima revelou que esteve acordada durante todo o tempo em que foi socorrida, dormindo pela primeira vez apenas quando estava prestes a fazer a cirurgia de reimplante das mãos. O agressor saiu da casa dela depois que ela ficou caída no chão sem se mexer. Quando ficou sozinha na casa, ela não conseguia mexer no próprio celular. Por isso, a solução encontrada foi gritar por ajuda. LEIA TAMBÉM: Agiotagem e drogas: conversas entre acusados de decepar mãos de jovem sugerem participação em outros crimes Vídeos mostram diálogo entre irmãos que deceparam mão de jovem: ‘Tu matou?’ Caso Ana Clara: pai indicou onde os irmãos que deceparam mãos de jovem estavam escondidos Nestes momentos após o ataque, Ana Clara conseguia falar pouco e sentia muitas dores. Ao relembrar o episódio, ela destaca a agilidade com que os socorristas conseguiram preservar a mão dela para os procedimentos de reimplante. A noite do ataque Antes da discussão do casal na noite do crime, eles haviam saído para beber na casa de um amigo de Ronivaldo e, em seguida, tinham ido para um restaurante. Segundo a jovem, Ronivaldo ficou irritado quando ela quis voltar para casa por achar que já estava bebendo demais. A discussão continuou dentro do carro, quando ele disse que a deixaria em casa e sairia sozinho. Durante a briga, Ana Clara jogou uma pedra contra o carro dele. Ela explicou que, em outras ocasiões, o então companheiro costumava ir embora e passar um período afastado. Desta vez, ela disse que ficou surpresa ao ver que ele havia chamado o irmão. Enquanto Ronivaldo ficou em cima do carro, Evangelista pulou o muro da casa de Ana Clara e pediu para que ela abrisse a porta. Segundo a vítima, ela não havia visto que ele portava uma foice. “No que eu abri, ele já pulou a janela e foi tacando… Tacou a foice, amputou minha mão. Foi tacando assim nos meus braços, nas minhas costas. Aí eu corri pro quarto. Tentei fechar a porta do quarto, mas não consegui. E ele começou a tacar [a foice], e eu me fiz de morta", relatou Ana Clara. Recuperação Ana Clara teve as mãos decepadas pelo cunhado em tentativa de feminicídio em Quixeramobim TV Globo/Reprodução A recuperação da jovem é acompanhada por uma equipe multidisciplinar, formada por psicólogos e assistentes sociais. Na última sexta-feira (15), ela passou pelas primeiras sessões de fisioterapia e terapia ocupacional, no Hospital Instituto Doutor José Frota (IJF). Desde a internação, Ana Clara passou por três cirurgias: para recolocar as mãos, recompor um tendão da perna que foi cortado e, depois, para substituir uma artéria em um dos braços. Quinze dias após a cirurgia de 12 horas que possibilitou o reimplante das mãos, a jovem voltou a movimentar gradualmente os dedos e aprendeu a usar o celular com os pés, segundo José Airton Firmino, padrasto da vítima. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

FONTE: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/05/20/caso-ana-clara-nao-entendo-a-raiva-dele-diz-jovem-sobre-cunhado-que-decepou-as-maos-dela.ghtml


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