Brasil registra mais de 500 tornados em nove anos; veja se já aconteceu perto de você

  • 15/09/2026
(Foto: Reprodução)
Mapa mostra distribuição de tornados pelo país Infográfico/g1 O Brasil registrou 524 tornados pelo país nos últimos nove anos, é o que mostra um banco de dados que o g1 teve acesso. O levantamento, que reúne episódios entre 2018 e 2026, mostra um raio-x do país, com os registros de Norte a Sul, com um mapa detalhado do país, que indica desde o local até a intensidade do tornado. Segundo os dados, os registros estão reunidos em mais de 280 cidades, a maioria delas no Centro-Sul, mas há casos no Norte e Nordeste, por exemplo. CLIQUE AQUI PARA SABER SE HÁ REGISTRO NA SUA CIDADE Após tempestade, MS tem novo alerta de temporais e risco de tornado nesta sexta Reprodução O Brasil não tem um banco de dados oficial dedicado a rastrear essas ocorrências. Os números usados nesta reportagem são do Prevots, projeto mantido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade de Oklahoma, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), que monitoram tempestades e tornados no país. ⦁ 🌪️ TORNADO é uma coluna de vento que gira muito rápido e liga uma nuvem de tempestade ao chão, como um funil. Ele só se forma quando algumas condições do tempo se encontram ao mesmo tempo — e é justamente essa combinação que é mais comum no Sul do Brasil do que no resto do país. Sarandi e Guaíba, no Rio Grande do Sul, e Dourados, no Mato Grosso do Sul, lideram o ranking de cidades mais atingidas por tornados desde 2018, com nove ocorrências cada uma. Veja abaixo a lista: Sarandi (RS): 9 registros de tornado Guaíba (RS): 9 registros de tornado Dourados (MS): 9 registros de tornado Horizontina (RS): 8 registros de tornado Xanxerê (SC): 8 registros de tornado Ananindeua (PA): 8 registros de tornado Corbélia (PR): 7 registros de tornado Cerqueira César (SP): 7 registros de tornado Salvador (BA): 7 registros de tornado Guarapuava (PR): 6 registros de tornado Tornados no Sul do Brasil. Arte/g1 Por que o Sul concentra a maioria dos casos? Dos 524 tornados registrados no Brasil desde junho de 2018, 227 aconteceram em apenas três estados: Rio Grande do Sul (93), Paraná (81) e Santa Catarina (53). Enquanto no Brasil como um todo a maioria dos fenômenos registrados é do tipo menos intenso, no Sul essa lógica se inverte: mais da metade dos casos identificados na região é do tipo gerado por supercélula, a categoria de maior potencial destrutivo - 51% dos casos. 🌪️ Supercélula é uma tempestade que gira inteira, como um redemoinho gigante de nuvem. Quando essa rotação desce em direção ao solo e se afunila, nasce o tornado — e por já sair de uma tempestade que gira, ele tende a ser mais forte e durar mais que os outros tipos. E você pode se perguntar: por que isso acontece com mais frequência no Sul? Por trás dessa concentração está a posição geográfica da região e o que ocorre por lá. Tudo começa com os rios voadores – que são jatos de ventos que carregam calor e umidade direto da Amazônia até o Sul do país. "Se você imaginar esse jato como um rio, é como se esse rio, que está trazendo ar quente e úmido, desembocasse no Sul do Brasil. E, ao fazer isso, é como se começasse a empoçar a umidade naquela região do mapa”, explica Ernani. ➡️ É nesse ponto que entra o segundo ingrediente: vindo da Argentina, chega ar frio e seco. O encontro das duas massas cria um contraste que acelera o vento conforme a altitude aumenta — o que os especialistas chamam de cisalhamento. Com ele, a rotação começa lá em cima e, em alguns casos, desce até perto do chão. É esse último passo que separa uma tempestade comum de um tornado. São Paulo aparece logo atrás do Rio Grande do Sul no ranking nacional, com 90 registros no período — apenas três a menos que o estado gaúcho, o mais afetado do país. O pesquisador e especialista em tornados explica que isso ocorre porque essa junção de fatores que se encontra no Sul do país também afeta o Centro-Sul, como São Paulo e o Mato Grosso do Sul, mas com menor frequência. Rede de busca e satélite ambiental 🌪️ E como eles são identificados para se transformarem nesse mapa? Os pesquisadores, estudiosos da meteorologia e especialistas em tempestades, têm uma rede de buscas por relatos de pessoas nas redes sociais e notícias de possíveis tornados, anotando local e horário aproximados de cada ocorrência. A partir daí, checam essas informações com imagens de satélite ambiental — as mesmas usadas para detectar queimadas —, que revelam o rastro de dano que o tornado deixa na vegetação, como uma cicatriz vista do espaço, ajudando a confirmar a extensão do fenômeno e, em alguns casos, sua intensidade. Com base nisso, eles confirmam o registro do tornado na plataforma como oficial. Quais são os tipos de tornado e intensidade? Nem todo tornado é igual — e entender essa diferença ajuda a dimensionar o risco real de cada ocorrência. Eles variam de acordo com a tempestade que os origina. 🌪️ Uma supercélula é uma tempestade que gira inteira, como um redemoinho gigante de nuvem. Quando essa rotação desce em direção ao solo e se afunila, nasce o tornado — o tipo mais forte e duradouro da lista. 🌪️ Já a linha de instabilidade reúne várias tempestades lado a lado, sem a mesma rotação isolada, e costuma gerar tornados de força intermediária. 🌪️ Por fim, as trombas d'água e terrestres raramente evoluem para algo mais forte, mas elas também são classificadas como tornados. Segundo levantamento do PREVOTS, o tipo mais frequente no Brasil não é o mais destrutivo. Das ocorrências analisadas, as trombas — d'água e terrestres somadas — respondem por 58% do total. O tipo que pode ter mais força, as supercélulas, correspondem a 27%. Intensos (supercélula): 142 casos Intensidade média (linhas de instabilidade): 78 Baixa intensidade (trombas d'água ou terrestres): 304 Ou seja, na prática, a maioria dos tornados registrados no país é do tipo mais fraco. Por isso, ainda que o Brasil tenha um número considerável de registros, não há relatos de destruição associada na mesma intensidade. Dá para prever um tornado? Apontar uma região com chance de tempestades capazes de gerar tornado é possível com até 24 horas de antecedência. Mas dizer o local exato onde ele vai passar, e a que horas, é outra história — e a física explica por quê. Quanto menor e mais rápido é um fenômeno atmosférico, menor é a janela de tempo em que é possível prevê-lo. Um redemoinho que levanta folhas secas num dia de vento é o exemplo mais simples: ele se forma e se desfaz em segundos, sem qualquer aviso possível horas antes. O tornado está nesse mesmo extremo da escala — tem menos de um quilômetro de diâmetro e raramente dura mais de meia hora. Ou seja, quanto maior e mais duradouro é o fenômeno, mais cedo dá para prevê-lo; quanto menor e mais rápido, mais curto fica esse horizonte.

FONTE: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/09/15/brasil-registra-mais-de-500-tornados-em-nove-anos-veja-se-ja-aconteceu-perto-de-voce.ghtml


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